Abate de centenas de árvores em Alcabideche causa polémica entre CMC e ambientalistas

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O abate de centenas de árvores no Parque Natural Sintra-Cascais está a causar muita polémica no concelho, com várias organizações ambientais a acusarem a CMC de “crime ambiental”.

O Grupo dos Amigos das Árvores de Sintra, uma das organizações referidas, fez uma queixa às autoridades competentes, dizendo que em causa está “o abate de centenas de árvores de grande porte numa área significativa do Parque Natural Sintra-Cascais, na freguesia de Alcabideche.

A mesma fonte adianta ainda que “a situação é realmente muito grave, inclusive pelo período de seca, uma vez que os troncos têm sido deixados no local e vão secando, pelo que potencia sérios riscos de incêndio; os abates, pelas movimentações que têm sido feitas no terreno, tudo indica que vão continuar”.

Para além deste grupo ambientalista, outros grupos também assinaram a mesma queixa como a SOS Parque Natural Sintra-Cascais, QSIntra, Fórum Cidadania Lisboa, Fórum por Carcavelos, Grupo Ecológico de Cascais ONGA e Associação de Defesa da Aldeia de Juso.

Segundo o site da CM, algumas destas organizações divulgaram fotos e vídeos do corte de árvores, afirmando que se tratam de “espécies não-invasivas” e que “a extensão do abate é grande”, exigindo “medidas imediatas” para “impedir a continuação da destruição de um património natural numa zona protegida por lei no Parque Natural Sintra-Cascais, o primeiro parque natural nacional, com biodiversidade única ao nível da flora e da fauna , insubstituível e de extrema importância para o meio ambiente e para o país, em particular perante o cenário de emergência climática”.

Em declarações à Agência Lusa, e numa espécie de resposta aos ambientalistas, fonte da Câmara Municipal de Cascais afirma que “a intervenção [localizada na zona da Serra de Sintra e da Penha Longa] tem única e exclusivamente objetivos de conservação e pressupõe, entre outras ações, o controlo e erradicação de espécies invasoras exóticas, em particular a acácia spp., para consequentemente, se iniciar o processo de restauração da floresta nativa, com plantação de árvores e arbustos distribuídos em função da sua especificidade [nomeadamente carvalhos, sobreiros, medronheiros, espécies arbustivas diversas e ripícolas]”.

A mesma fonte adianta que esta tarefa “é essencial” para reduzir o risco de incêndio nesta zona crítica, para combater as alterações climáticas e conter a perda de biodiversidade.

“Naturalmente que este tipo de intervenções tem impacto na paisagem, mais na sua componente estética, tão pouco na fauna ou flora que, nestas zonas, é praticamente inexistente, face ao caráter invasivo destas plantas”, defende a autarquia, que acrescenta que para mitigar este impacto as áreas de intervenção são limitadas a 5/6 hectares e distante entre elas para descontinuar esta intervenção à escala da paisagem. Esta gestão está planeada a médio/longo prazo e representa um investimento significativo da autarquia que recorre aos fundos e apoios do POSEUR e PDR.

A Câmara de Cascais conclui dizendo que “somente o desconhecimento, seja dos valores naturais como do risco que acarretam, pode levar a estas interpretações [de crime ambiental]; é sempre bom quando a sociedade está atenta, mas importa continuar a trabalhar na educação e sensibilização ambiental para ter cada vez mais cidadãos esclarecidos e bem informados”.