“A noite dos assassinos”, peça proibida pela Censura, chega agora ao TEC

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“A noite dos assassinos” é o nome da peça que o Teatro Experimental de Cascais estreou no passado 27 de março, data em que se assinalou o Dia Mundial do Teatro.

Esta peça foi originalmente produzida pelo TEC em 1973 mas não chegou a ir a cena, por proibição da Censura no dia do ensaio geral.

“Será uma forma de homenagear os intérpretes de então: Maria do Céu Guerra, Manuela de Freitas e Sinde Filipe, bem como o encenador Jorge Listopad, assim como todos os artistas que tiveram de se calar perante a Censura.”, refere o TEC em comunicado.

Este será o primeiro de um ciclo de textos proibidos pela Censura que o TEC vai trazer até 2024 e que serve também como forma de celebrar os 50 anos do 25 de abril de 1974.

Adaptada de um texto do cubano José Triana, a história “remonta a 1950, em Cuba, antes da Revolução de 1959, quando três irmãos, Cuca, Beba e Lalo, se encontram no sotão da sua casa para encenar o assassinato de seus próprios pais”, numa metáfora que recorre aos valores educacionais e ao conflito de gerações, traçando o retrato da relação complexa entre irmãos e remetendo para o regime ditatorial vivido no país sob o poder de Fulgêncio Batista.

Para o TEC, trata-se de uma metáfora que, “de forma mais profunda”, está ligada a “contextos mais universais e atuais, onde num mundo instável e caótico, três irmãos lutam pela sua sobrevivência fechados num espaço, através de jogos de representação”.
Num “violento jogo metateatral de faz-de-conta, mortal e simbólico, onde não há amor entre os pais e filhos, revivem-se os acontecimentos num espelho interminável e nada é o que parece”, acrescenta o TEC.

Com encenação de Carlos Avillez e versão e dramaturgia de Miguel Graça, fazem parte do elenco os atores Elmano Sancho, Teresa Coutinho e Lia Carvalho.

“A noite dos assassinos” estará em cena até 25 de abril, com sessões de quarta-feira a sábado, às 21 horas, e domingos, às 16h. As duas últimas sessões dos dias 24 e 25 de abril serão às 21h00.

Nos dias 5 e 12 de abril não haverá espetáculo.
Os bilhetes têm um custo de 15 euros e podem ser adquiridos em bol.pt.

Texto: Nuno Rilhas