Cancro colorretal: “A cirurgia é atualmente o único tratamento potencialmente curativo”

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Manuel Limbert, cirurgião geral no Hospital CUF Cascais,

É através do acompanhamento multidisciplinar e da aposta no tratamento cirúrgico
minimamente invasivo que o Hospital CUF Cascais responde de forma especializada às
necessidades de cada pessoa com cancro colorretal – o 3º com maior número de
diagnósticos anual – quem o refere é Manuel Limbert, cirurgião geral no Hospital CUF
Cascais, em entrevista ao Notícias de Cascais.

1. A prevenção é possível? Que cuidados recomenda?
É possível, mas como em todas as situações não é 100% eficaz. Há fatores bem
conhecidos que aumentam o risco, como: idade superior a 50 anos; história familiar
de cancro colorretal; história pessoal de pólipos ou de um cancro colorretal prévio;
doença inflamatória do intestino e diabetes tipo 2. Nestes casos, recomendo uma
vigilância mais atenta junto do médico assistente, mas todas as pessoas a partir dos
45/50 anos devem iniciar o seu rastreio. Há, também, determinados estilos de vida
que elevam o risco de desenvolver este tipo de cancro – e estes são possíveis de ser
alterados, como: obesidade, ingestão excessiva de carnes vermelhas e comida
processada, tabaco, álcool e falta de exercício físico.

2. Ter um ou mais destes fatores representa a possibilidade de um diagnóstico
de cancro colorretal?
Não significa que se vá ter cancro, mas sim que estas pessoas devem estar ainda
mais atentas à necessidade de realizar rastreio – como a pesquisa de sangue oculto
nas fezes e a colonoscopia total.

3. Na maioria dos casos de cancro colorretal, a cirurgia é o tratamento de
eleição?
A cirurgia é atualmente o único tratamento potencialmente curativo deste cancro. Há
casos muito selecionados de cancro do recto em que o tratamento com
quimioterapia e radioterapia podem evitar a cirurgia.

4. De que forma têm evoluído as técnicas cirúrgicas?
São cada vez menos invasivas, com claras vantagens para o doente. No Hospital
CUF Cascais, na maioria dos casos, recorremos à abordagem por laparoscopia
(introdução, através de pequenas incisões na parede abdominal, de uma câmara e
pequenos instrumentos). Em comparação com a abordagem clássica (cirurgia
aberta), é menos traumática, permite um pós-operatório mais rápido e menos
doloroso.

SINAIS DE ALERTA PARA PROCURAR AJUDA MÉDICA

“A anemia (cansaço fácil, falta de forças), a alteração do padrão habitual do
funcionamento intestinal (mais obstipação ou diarreia) e o aparecimento de sangue nas fezes, perda de peso, perda de apetite, dores abdominais e dor pélvica, são
sinais já de uma doença mais avançada” alerta o especialista da CUF.

ACOMPANHAMENTO DIFERENCIADO

Manuel Limbert destaca que o Hospital CUF Cascais tem todos os meios técnicos e
humanos para fazer o diagnóstico, ver qual a fase em que se encontra a doença,
tratar (cirurgia, quimioterapia e radioterapia), promover a recuperação pós
tratamento (enfermagem de estomaterapia, fisioterapia, nutrição), bem como o
seguimento pós tratamento oncológico. “Os profissionais da CUF têm vasta
experiência, dedicação e conhecimento nesta área da oncologia”.

VÁRIAS ESPECIALIDADES ENVOLVIDAS NO DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

O Hospital CUF Cascais promove uma abordagem multidisciplinar da qual fazem
parte gastrenterologistas, cirurgiões, oncologistas, radioterapeutas oncológicos,
especialistas de medicina nuclear e imagiologistas – que se reúnem para discutir os
diferentes casos clínicos, bem como os exames de diagnóstico e estadiamento. “Em
conjunto, os vários especialistas, tomam as opções terapêuticas para cada caso
específico”, refere o cirurgião geral da CUF.

TESTEMUNHO

Agostinho Domingos
“Correu tudo tão bem. Entre o diagnóstico e o início dos tratamentos foi tudo tão rápido que me permitiu gerir a ansiedade”

Foi em julho de 2022, após a realização de análises de rotina, que Agostinho Domingos, com 54 anos de idade, ficou alerta ao perceber que uns valores estavam alterados. Agendou uma consulta para o dia seguinte, para procurar perceber o que se passava. “A médica questionou-me se tinha reparado em alguma alteração. Foi aí que me lembrei que, recentemente, tinha tido um episódio de sangue nas fezes, que havia desvalorizado”, recorda Agostinho Domingos. Saiu da consulta com a prescrição para realizar uma colonoscopia – exame que resultou no diagnóstico de cancro do recto.
Uma amiga recomendou que agendasse uma consulta com o cirurgião geral, Manuel Limbert. “Correu tudo tão bem. Entre o diagnóstico e o início dos tratamentos foi tudo tão rápido que me permitiu gerir a ansiedade. Todo o processo de tratamentos foi encadeado: primeiro, radioterapia e quimioterapia com orientação do oncologista, Diogo Alpuim Costa e, depois, a cirurgia, realizada pelo cirurgião Manuel Limbert… Nunca houve tempos de espera. E a simpatia das pessoas marcou-me, senti-me acarinhado por toda a equipa da CUF”, destaca Agostinho Domingos, partilhando, ainda, que ficou emocionado ao ouvir o médico dizer-lhe: “É um caso de sucesso. Já não tem cancro”.
Volvido um ano, desde o diagnóstico, hoje continuam as idas à CUF, entre os exames de rotina, de 3 de 3 meses, e as Consultas de Nutrição. “Tenho recebido dicas úteis para gerir a minha alimentação, para manter-me bem alimentado, com energia e, em particular, para conseguir que as fezes sejam consistentes”, conta Agostinho Domingos.
Para quem está a passar pelo diagnóstico de um cancro, Agostinho Domingos aconselha: “Não podemos pensar no processo todo, mas sim em cada etapa – resolver um desafio de cada vez. O tempo passa e conseguimos superar a doença”.