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Roteiro Gastronómico da páscoa no concelho

A Gastronomia de Páscoa em Cascais: Tradições entre o Mar e a Serra

A tradição não se lê apenas nos livros de ritos religiosos; lê-se, sobretudo, no fumo que sai das chaminés e no aroma a erva-doce que invade as padarias tradicionais. Embora o concelho seja pequeno em extensão, a sua dualidade geográfica, entre a sofisticação da linha costeira e a rusticidade das encostas da Serra de Sintra, cria um património culinário riquíssimo e diferenciado.

O Cabrito: O Rei das Encostas Se descermos às zonas mais rurais, como Janes, Malveira da Serra ou Alcabideche, a Páscoa cheira a alecrim e a forno de lenha. Nestas freguesias de matriz saloia, o cabrito assado é a estrela incontornável do Domingo de Ressurreição. Ao contrário da carne de vaca, mais comum no dia-a-dia, o cabrito era, historicamente, um luxo reservado para as grandes festas. Nestas localidades, a tradição dita que a carne seja marinada em vinho branco, alho, louro e colorau, sendo depois acompanhada pelas batatinhas novas e pelo arroz de miúdos. É uma cozinha de conforto, feita para alimentar famílias numerosas que se reúnem após a visita do Compasso Pascal.

O Folar de Cascais: Entre o Ovo e a Canela No que toca à doçaria, a Vila de Cascais orgulha-se do seu Folar Tradicional. Enquanto no Norte do país o folar é muitas vezes de carne (bola), em Cascais ele é estritamente doce e carregado de simbolismo histórico e cultural. O folar cascalense distingue-se pela sua massa leve, mas firme, onde a erva-doce e a canela desempenham um papel central. O elemento visual mais marcante é o ovo cozido com casca, “preso” por duas tiras de massa em forma de cruz, representando a renovação e a vida. Nas pastelarias históricas do centro, como a conceituada Garrett no Estoril, o folar é uma obra de arte que equilibra a humidade da massa com a crosta brilhante pincelada com gema de ovo.

Areias e Nozes: O Requinte do Estoril À medida que nos aproximamos do Estoril, a mesa ganha toques de maior sofisticação. Aqui, a tradição pascal funde-se com a pastelaria fina. É comum encontrar as famosas Areias de Cascais e as Nozes de Cascais a decorar as mesas de sobremesa na Páscoa. Estes pequenos mimos, feitos à base de manteiga, açúcar e ovos, representam o lado mais “fidalgo” da gastronomia local, servindo de acompanhamento perfeito para o café ou para um cálice de vinho generoso após a refeição pesada do cabrito ou do borrego.

A Influência do Mar: O Jejum de Sexta-feira Não podemos falar de Cascais sem mencionar a Sexta-feira Santa. Sendo uma terra de pescadores, o respeito pela abstinência de carne é levado a sério. No Bairro dos Pescadores, o prato de eleição recai frequentemente sobre o Bacalhau à Assis ou o simples peixe fresco grelhado, honrando a faina local antes da explosão de sabores carnívoros do domingo.

Um Património a Preservar A gastronomia de Páscoa em Cascais é o reflexo de um concelho que sabe ser cosmopolita sem esquecer as suas raízes. Entre o sal do Atlântico e o ar puro da serra, a mesa posta continua a ser o maior ponto de união entre gerações, onde o segredo da receita da avó ainda é o ingrediente mais importante.

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