Home Cascais Entre o isolamento e a reabilitação: a história da Quinta do Pisão

Entre o isolamento e a reabilitação: a história da Quinta do Pisão

Na freguesia de Cascais, a Quinta do Pisão guarda uma história marcada por profundos
contrastes, de espaço de isolamento social e doença a símbolo de reabilitação, inclusão e
sustentabilidade.

Ao longo do século XX, este território esteve associado a uma realidade dura e muitas
vezes esquecida. Nos anos 40, foi criada a chamada Colónia Agrícola do Pisão, integrada
na Mitra de Lisboa, onde eram acolhidos doentes mentais, tuberculosos e pessoas em
situação de mendicidade.

Neste espaço, chegaram a viver cerca de 500 pessoas, muitas delas internadas de forma
compulsiva e sujeitas a um regime fechado, vigiado pelas autoridades.
O local funcionava simultaneamente como instituição assistencial e estrutura produtiva,
onde os residentes trabalhavam na agricultura para garantir a subsistência do próprio
sistema.

Ainda nesse contexto, foi construído um pavilhão específico para doentes mentais,
frequentemente referido como um “sanatório”, reforçando a função do espaço como unidade
de internamento e controlo social.

Mudança após o 25 de Abril

Com a evolução das políticas sociais após a democracia, o modelo começou a transformar-
se. A partir de 1985, a gestão passou para a Santa Casa da Misericórdia de Cascais, que
converteu o espaço no atual Centro de Apoio Social do Pisão.

Hoje, o antigo sanatório deu lugar a uma instituição focada na reabilitação e inclusão social
de pessoas com doença mental, oferecendo cuidados médicos, apoio psicológico e
atividades ocupacionais.

O centro acolhe adultos em regime de internamento, promovendo a autonomia, o bem-estar
e a reintegração social, uma mudança significativa face ao modelo assistencial e isolado do
passado.

A realidade atual: natureza e comunidade

Paralelamente à vertente social, toda a área envolvente foi requalificada.

Hoje, a Quinta do Pisão é também um parque natural com cerca de 380 hectares, integrado
no Parque Natural de Sintra-Cascais.
O espaço oferece trilhos e caminhadas, atividades agrícolas e pedagógicas e programas
ambientais e de voluntariado.

Tornou-se um exemplo de equilíbrio entre memória histórica, inclusão social e
sustentabilidade ambiental.

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