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Projeto Mergulha por Cascais entrega bolsas a jovens mergulhadores

Desde 2021, mais de 14 toneladas de lixo marinho foram retiradas da Baía de Cascais graças ao projeto Mergulha por Cascais. Redes abandonadas, garrafas de plástico, latas, cabos, embalagens e dezenas de outros resíduos acumulados no fundo do mar têm sido removidos por uma comunidade crescente de voluntários que encontrou no mergulho uma forma concreta de proteger o oceano.

A sexta edição da iniciativa arrancou no passado dia 23 de maio, no Cais dos Pescadores, em Cascais, reunindo mergulhadores certificados, praticantes de stand-up paddle, pescadores locais e equipas de apoio em terra numa nova operação de limpeza subaquática. Para além dos números alcançados ao longo dos últimos anos, o projeto tem vindo também a destacar-se pelo impacto humano e educativo que gera junto dos mais jovens.
“Quando vemos o lixo no fundo do mar, percebemos realmente a dimensão do problema”, conta Sofia Carvalho, de 19 anos, uma das novas bolseiras desta edição. A jovem mostra uma enorme cobertura plástica de automóvel encontrada naquele dia e relata a dificuldade que tiveram em arrancá-la do fundo do mar, onde estava enterrada na areia. “Gosto de dar o meu contributo para a preservação da biodiversidade marinha. Fiquei feliz por ter visto um polvo hoje e, claro, deixámo-lo seguir o seu caminho.”
Sofia faz parte do grupo de sete novos participantes que este ano receberam bolsas para frequentar o curso PADI Open Water Diver. O apoio cobre 80% dos custos da certificação e destina-se a jovens residentes entre os 18 e os 30 anos. Em troca, os bolseiros comprometem-se a integrar várias ações de limpeza marinha ao longo da época balnear.
Este ano, as bolsas foram atribuídas a sete jovens residentes no concelho: Ana Sofia Carvalho, Carolina Parreira, Catarina Quental, Inês Santos, Inês Vaz e Rodrigo Anes. A entrega esteve a cargo de Zilda Costa da Silva, em representação da Cascais Ambiente, Francisco Kreye, presidente da União de Freguesias de Cascais e Estoril e Teresa Vale, líder e cofundadora do Movimento Claro.
Promovido pelo Movimento Claro, em parceria com a Junta de Freguesia de Cascais e Estoril e a Câmara Municipal de Cascais, o projeto nasceu da vontade de aproximar os jovens da conservação marinha através de uma experiência prática e direta com o oceano.

Cada objeto encontrado é contabilizado e registado em fichas próprias, sendo os dados posteriormente enviados para a plataforma internacional PADI Dive Against Debris, dedicada à monitorização global do lixo marinho. O objetivo não passa apenas por limpar, mas também por compreender os padrões de poluição e contribuir para bases de dados internacionais sobre resíduos oceânicos.
A componente educativa esteve sempre no centro do projeto. O Movimento Claro surgiu precisamente da crescente preocupação com o impacto do plástico descartável nos oceanos. O que começou como uma ação de sensibilização local rapidamente cresceu e transformou-se oficialmente numa associação juvenil sediada em Cascais, expandindo a sua atividade para escolas, empresas, eventos de sustentabilidade e projetos comunitários.
“Quando diferentes elementos da comunidade trabalham juntos, o impacto multiplica-se”, refere Teresa Vale. “Não se trata apenas de limpar a baía num dia específico. Trata-se de criar uma consciência contínua.”
Este ano, o Movimento Claro lançou também o concurso de moda sustentável “Trash to Trend”, que desafia a comunidade a transformar lixo marinho recolhido nas limpezas em peças de vestuário, promovendo criatividade, economia circular e reflexão sobre a fast fashion.

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