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AMÁLIA NO TEATRO MUNICIPAL MIRITA CASIMIRO

Amália com dedicatória a Carlos Avilez

Um concerto memorável

Estávamos em 18 de setembro de 1987 quando a grande diva da nossa cultura, Amália Rodrigues, deu um concerto memorável no Teatro Experimental de Cascais. Desde os anos 60 que Carlos Avilez e Amália planeavam a participação da artista no Teatro Experimental de Cascais, com o objetivo de representar uma peça de Federico García Lorca ou de Tennessee Williams. A imprensa anunciava com grande destaque este projeto.
Acontece que, desde a sua estreia no Olympia de Paris, em 1957, Amália passou a ser convidada para atuar nas grandes salas de espetáculo de todo o mundo. Por esse motivo, nunca conseguiu dispor do tempo necessário para aceitar o convite.
Só em 1970, Carlos Avilez conseguiu que Amália integrasse o Teatro Experimental de Cascais na representação de O Dia de Portugal, em Osaka, no Japão. O êxito foi retumbante.

Recital de homenagem ao grande ator José de Castro

Amália e todos nós tínhamos por José de Castro uma enorme admiração, tanto pessoal como artística.
Por este ator, natural de Paço de Arcos, Amália tinha uma admiração muito especial. A população de Paço de Arcos tinha e continua a ter um grande carinho por José de Castro, não só pelo seu enorme talento, mas também pela sua proximidade e ligação aos seus conterrâneos.
O ator faleceu em 1977, aos 45 anos.

O jornal a voz de Paço de Arcos

O mítico jornal A Voz de Paço de Arcos e o seu diretor de então, Joaquim Coutinho, eram fervorosos admiradores de José de Castro.
Por esse motivo, decidiram, em colaboração com a Câmara Municipal de Oeiras, realizar uma campanha de angariação de fundos com o objetivo de perpetuar a memória do ator através de um busto, da autoria do escultor Joaquim Correia.
Para concretizar este projeto seria necessária uma verba avultada para a época. Dada a nossa relação com Amália, foi fácil encontrar uma solução para o problema financeiro.

Recital de Amália no Teatro Municipal Mirita Casimiro

Em apenas 48 horas, a lotação estava esgotada. Foi necessário improvisar um enorme estrado no fundo do palco para permitir a atuação de Amália. Assim, conseguimos atingir um número recorde de espectadores: 472 pessoas.
Amália foi aplaudida numa noite memorável, mas também profundamente emotiva. Ao falar do seu amigo José de Castro, a comoção de Amália foi evidente. As portas do teatro foram então abertas, dando a possibilidade a muitas pessoas que não tinham conseguido ingresso de ouvir, a partir da rua, a voz de Amália.

A FILMAGEM

Ninguém se apercebeu de que uma espectadora estava a filmar o espetáculo na última fila da plateia. Era uma fervorosa admiradora de Amália.
Em 2017, procurou-me para me oferecer este precioso documento. O espetáculo tinha sido registado numa pequena máquina de filmar de 16 mm. Mais tarde, o registo foi transferido para DVD e melhorado por Miguel Silva Ângelo.
É esta preciosa gravação da atuação de Amália que poderá ser vista num ecrã de grande dimensão.
Anos mais tarde, Amália voltou ao Teatro Municipal Mirita Casimiro para integrar a homenagem que prestamos ao mestre da guitarra Carlos Paredes.
O grande senhor da guitarra foi um dos fundadores do Teatro Experimental de Cascais, em 1965. Quando Amália chegou, Carlos Paredes proferiu uma frase que ficou para sempre na memória:«Não sabia que tinha tantos amigos.»
Hoje, Carlos Paredes e Amália Rodrigues têm a sua presença assinalada em placas de memória à entrada do Teatro Municipal Mirita Casimiro.

 

Informações do Evento:

Entrada: Livre, sujeita à lotação máxima
Local: Auditório Carlos Avilez, situado no antigo edifício do Cruzeiro, no Monte Estoril
Data e Hora: Domingo, 20 de setembro, às 17h00
Duração: 1h50
Organização conjunta: Câmara Municipal de Cascais e Espaço Memória Teatro Experimental de Cascais
Informações: 964 740 852

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