O jornalista e escritor tinha 82 anos. Fundador de publicações como O Jornal e Tal & Qual, destacou-se na imprensa, na rádio e na televisão, tendo também sido porta-voz do Presidente da República Ramalho Eanes.
Joaquim Letria, um dos nomes mais reconhecidos do jornalismo português, morreu esta sexta-feira, 16 de outubro, aos 82 anos, na sua residência. A informação foi confirmada à agência Lusa por uma fonte familiar.
Nascido em Lisboa, a 8 de novembro de 1943, Joaquim Letria construiu uma carreira de várias décadas, marcada pela reportagem, pela inovação na comunicação social e pela participação em alguns dos momentos mais importantes da história recente do país.
Iniciou o seu percurso profissional no Diário de Lisboa, em 1963, passando posteriormente por diferentes órgãos de comunicação social. Trabalhou na rádio e em agências noticiosas internacionais, incluindo a Associated Press e a agência alemã DPA, tendo também desenvolvido atividade na BBC, em Londres.
O regresso a Portugal, após a Revolução de 25 de Abril de 1974, marcou uma nova etapa da sua carreira. Integrou a direção de Informação da RTP, num período de profundas transformações políticas e sociais, assumindo um papel relevante na evolução do jornalismo televisivo português.
Na televisão, apresentou programas como Directíssimo e Tal & Qual, que contribuíram para consolidar a sua notoriedade junto do público. Defensor de formatos que aproximassem a informação dos espectadores, destacou-se pela capacidade de combinar jornalismo, entrevista e entretenimento.
Fundador de jornais e revistas
A imprensa escrita foi outra das áreas fundamentais do seu percurso. Joaquim Letria participou na fundação de O Jornal, em 1975, e esteve na origem do semanário Tal & Qual, lançado em 1980. Foi também diretor da revista Sábado, reforçando a sua influência no panorama editorial português.
Ao longo da carreira, desempenhou ainda funções institucionais de relevo. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas e exerceu o cargo de porta-voz do então Presidente da República, António Ramalho Eanes, até 1986.
A experiência acumulada na profissão levou-o também à docência, tendo ensinado jornalismo e comunicação em instituições de ensino superior. Paralelamente, publicou diversos livros, mantendo uma ligação à escrita para além do trabalho desenvolvido nas redações.
Um legado que atravessa gerações
A morte de Joaquim Letria representa a perda de uma figura que acompanhou e participou nas mudanças do jornalismo português, desde os últimos anos do Estado Novo até às transformações posteriores à democracia.
Entre a reportagem internacional, a televisão e a criação de projetos editoriais, deixou uma carreira diversificada, associada à afirmação de novos formatos de informação e à evolução dos meios de comunicação social em Portugal.
A sua atividade como jornalista, escritor, professor e responsável por diferentes projetos editoriais marcou várias gerações de profissionais e leitores, consolidando o seu lugar na história da comunicação social portuguesa.
