A grande maioria das pessoas com mais de 50 anos de idade e com uma doença crónica, tem medo de contrair Zona, mas ainda não falaram com o seu médico de família sobre o impacto desta doença no dia-a-dia.
Este é o resultado de um estudo (inquérito) feito a 6000 pessoas com mais de 50 anos de idade, naturais de 10 país, sobre a doença Zona.
Cerca de 80% teme a doença, mas apenas 33% acredita que a mesma causa forte dores e impede as pessoas de trabalharem ou de participarem em eventos sociais. Dos 80%, cerca de 70% está preocupado com a possibilidade da doença obrigar a um internamento hospitalar prolongado. Apesar destes números, só 54% diz ter tido uma conversa sobre a doença com o seu médico de família ou outro profissional de saúde.
Noutro âmbito, há mais um resultado que merece grande destaque, pois apenas 25% dos inquiridos acredita que a sua doença crónica pode aumentar o risco de contrair Zona.
Em relação aos inquiridos que já contraíram Zona, 42% sentiram fortes dores e tiveram dificuldade de lidar com a doença no dia-a-dia, mas 33% revelaram que a doença impediu-os de trabalhar ou de participar em eventos sociais.
Os inquiridos foram selecionados de um grupo de pessoas particularmente vulneráveis à doença (causada pela reativação do vírus varicela-zoster) e que apresentam uma maior probabilidade de enfrentar complicações mais graves associadas a este problema.
Para José Albino, representante do Movimento Doentes pela Vacinação – MOVA, “estes dados mostram-nos uma realidade preocupante: as pessoas, os doentes, sentem medo do impacto da Zona, mas continuam sem a informação necessária para agir; é urgente aumentar a literacia sobre a Zona para que possamos abordar a doença na consulta com o médico assistente e assumir decisões mais informadas, como prevenir através da vacinação”.
A nível global, a Zona pode afetar 33% da população com mais de 50 anos de idade, mas quem tem doenças crónicas corre mais riscos, sendo as doenças respiratórias (DOC/Asma) as que apresentam um risco mais elevado (41%), seguindo-se a diabetes (38%), doenças cardiovasculares (34%) e doença renal crónica (29%).
Apesar da gravidade da doença, apenas 25% acredita que a doença crónica aumenta o risco de contrair Zona, e 48% desconhecem que a doença pode ter gravidades diferentes.
Esta iliteracia clínica também se estende a Portugal, pois 40% acreditam que não estão em risco de contrair Zona e a maioria (63%) refere “falta de conhecimentos sobre o tema”.
Assim, não é de estranhar que 62985 pessoas tenham contraído Zona entre o Verão de 2023 e a mesma estação de 2024, o que obrigou a um esforço financeiro (cerca de 10,2 milhões/ano) e humano do sistema de saúde para minimizar os riscos que esta doença traz consigo: dor intensa (que impede a pessoa de ir trabalhar), perda de visão e dificuldades motoras.
“A percepção de risco continua a ser muito inferior à realidade, o que ajuda a explicar o facto da Zona ser ainda subvalorizado, mesmo junto dos doentes crónico; é fundamental investir em informação clara e acessível, especialmente junto dessas pessoas mais vulneráveis; é igualmente imperativo que os doentes crónicos se vacinem#”, refere José Albino.
“A Zona não teve apenas impacto na condição geral da saúde do doente crónico, tem também consequências sociais e económicas relevantes; reforçar a sensibilização e a prevenção é um investimento na saúde das pessoas, dos doentes crónicos e na sustentabilidade do sistema de saúde; por isso, o MOVA defende a necessidade urgente da comparticipação da vacinas para grupos de risco e que minimize as desigualdades de acesso”, remata José Albino.







