No próximo dia 27 de Junho, irá realizar-se no Pestana Beloura Golf & Resort, o XII Torneio de Golfe Solidário, organizado pela Associação de Moradores da Quinta da Carreira (AMQC).
Neste sentido, o “Notícias de Cascais” falou com Carlos Guimarães, Presidente da AMQC, e um dos impulsionadores do torneio, que começou por explicar que a ideia do torneio nasceu por parte de alguns elementos da direção, que jogam golfe.
Outra dos propósitos para a criação do evento foi “a necessidade de fazer algo na área do social. E não havendo conhecimentos nessa área criamos um evento desportivo, cuja receita reverteria para uma instituição social. Nós fomos à procura de uma instituição que fizesse um trabalho sério e bom e escolhemos as Vicentinas em São João do Estoril, que dão apoio social, moral, vistas ao domicilio a pessoas carenciadas e, por isso, ao longo destes 12 anos fomos sempre fazendo o torneio cujas receitas revertem para as Vicentinas”.
“Nós não sabemos fazer o apoio social, mas somos bons a organizar torneios de golfe, e as senhoras vicentinas não conseguem organizar eventos, mas fazem um apoio social extraordinário; assim juntaram-se as duas vontades e juntaram-se vários parceiros, padrinhos, empresas, gente famosa da sociedade civil e fizemos um torneio solidário que consegue angariar cada vez mais dinheiro; esse valor representa 40% do orçamento da Conferência Vicentina”, acrescentou Carlos Guimarães.
O nosso interlocutor explicou ainda o porquê da escolha da Conferência Vicentina: “Trata-se de uma instituição que vai além da alimentação, pois também ajuda as pessoas carenciadas a pagarem a água, se entretanto sofrerem um corte, ajuda a pagar o leite para as crianças e idosos, ajuda ao pagamento das rendas de casa, etc.”
Mas, vai muito além deste apoio, pois a Conferência Vicentina também ajuda na procura de emprego e é uma alavanca na recuperação social das pessoas, como explica Carlos Guimarães com um exemplo real: “Uma pessoa, com dois ou três filhos a cargo, foi apoiada pelas Vicentinas durante cerca de 3 anos; com ajuda da instituição e com o apoio moral, espiritual, logístico, a senhora carenciada conseguiu criar uma empresa na área social, e agora ganha dinheiro suficiente para se auto-sustentar e não precisar do apoio das Vicentinas”
Com a criação do torneio, a AMQC ajuda financeiramente as Vicentinas, mas também publicita o seu trabalho, pois “as senhoras são muito contidas, gostam de ajudar, e não fazem grande alarido do seu trabalho; a AMQC serve quase como empresa de publicidade da Conferência Vicentina, dá a conhecer o seu trabalho, pois muita gente desconhece e assim que ficam a conhecer passam a ajudar e a contribuir”.
Outra das “valências” da Conferência Vicentina é a ajuda â população mais jovem. Um dos exemplos que Carlos Guimarães aponta centra-se na vida de uma criança em idade escolar, que começa a perder o interesse na escola por ver mal. Os professores apercebem-se do problema, alertam os pais, mas estes não têm dinheiro para levar a criança ao oftalmologista e para comprar os óculos, apesar de haver apoios sociais; só que esses apoios demoram muito tempo a chegar, e uma criança que vê mal não pode esperar, porque pode perder o interesse pela escola”.
“Assim, as Vicentinas pagam as consultas e os óculos e resolve-se o problema da criança, porque a criança não tem culpa de ser pobre e merece ter as mesmas oportunidades que as outras crianças; esta rapidez com que atuam, dá um conforto à AMQC de que o dinheiro angariado está a ser bem usado”.
Sobre a AMQC, Carlos Guimarães diz que “a porta da associação está sempre aberta, em horário laboral, e todos podem vir pedir apoio, que nós ajudamos na medida do possível”-
Uma das principais atividades da AMQC é a escola de Dança, que comporta 14 modalidades diferentes e já ganharam vários prémios, em Alverca e, mesmo em Cascais”-
Criada em 1975, tem como missão promover a melhoria do ambiente e da qualidade de vida, a valorização social e cultural dos moradores e a melhoria do espaço público, como por exemplo “o jardim da Praceta Gil Vicente, o Parque Urbano da Quinta da Carreira, uma sede para os Escuteiros, uma cafetaria e mais equipamentos”
“A Associação recuperou também o Moinho e o Poço da Quinta da Carreira, que foi uma tarefa hercúlia, recuperamos o Tanque, modificamos a Praça da Carreira e interviemos no sentido de melhorar as condições de vida da população que aqui habita”, salientou também Carlos Guimarães.
“A AMQC vai ainda representar todas as associações de moradores do concelho no Concelho Municipal da Habitação, o que vai ser um trabalho de grande responsabilidade”, alerta Carlos Guimarães.
Quanto ao torneio propriamente dito, a edição de 2026 também vai ter “embaixadores”, ou seja, “pessoas famosas que ajudam a promover e a divulgar o torneio”. Foram convidados o ator António Machado, a atriz Ana Leite, o ex-futebolista e golfista Carlos Xavier, a escritora Rita da Nova e as golfistas e influencers Patrícia Pereira e Mariana Pereira.
Como se trata de um evento de golfe solidário, o jogo sofre algumas alterações e são criadas regras peculiares, como o Jogo da Bola Amarela, que consiste em chegar ao fim do dia com a Bola Amarela. Cada equipa de 4 elementos tem uma bola amarela que vai rodando pelos jogadores, e estes não podem atirar a bola para os lagos artificiais ou para o meio da floresta, onde é impossível de encontrar uma bola de golfe.
Outra vertente diferente são os prémios de perícia, para quem dá a tacada mais longa, o putt mais longo, e ainda o jogo da batota, ou seja, cada equipa tem uma corda e pode usar essa corda para colocar a bola “dentro” do buraco, ou seja, caso a bola esteja a uma distância curta do buraco, a equipa pode usar a corda “joker” e o buraco fica feito.
Na mesma ocasião, Carlos Guimarães, revelou a realização durante o torneio de uma Clínica de Golfe, destinada aos embaixadores e demais convidados, onde estes vão mostrar os seus dotes no golfe, com algumas pancadas e brincadeiras com a bola, numa ambiente descontraído onde não há vencedores, nem vencidos
Depois de apurados o resultados haverá um almoço-convívio, onde será feita a entrega de prémios e na mesma altura “serão sorteados vários prémios oferecidos pelos parceiros, como passeios de barco na costa cascalense, dormidas em hotéis, camisolas oficiais do Sporting, Benfica e Estoril-Praia, vouchers para os golfistas poderem utilizar e jogar em vários campos, vouchers de refeição em alguns restaurantes de Cascais, bilhetes para o teatro, bolas, pins, sapatos de golfe.
Carlos Guimarães ainda agradeceu os incentivos financeiros dados pela Câmara Municipal de Cascais (CMC) e pela União de Freguesias de Cascais/Estoril (UFCE), que ajudam a criar o torneio e assim transformar o dinheiro em apoio social.
Além disso, “o trabalho das Vicentinas merece ser valorizado, pois a maior parte das senhoras que prestam o apoio social têm mais de 80 anos de idade e é preocupante porque não há continuidade e as senhoras vão ter dificuldade em apoiar durante muito mais tempo. Devido aos media, que só valorizam aquilo que corre mal, há uma grande desconfiança destes apoios sociais”-
“Parece que Cascais é um mar de rosas, que toda a gente é rica e vive bem, mas há muita dificuldade; no Covid estivemos a levar comida a casa das pessoas e vi coisas que não imaginava ver em Cascais; as dificuldades são muitas e o número está a crescer”.
A terminar, Carlos Guimarães acredita que o troneio de golfe vai perdurar no tempo, pois a vontade de todos é “continuar”-







