Quinta-feira, Outubro 8, 2026
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Obesidade infantil: conferência reúne especialistas e alerta para necessidade de reforçar prevenção

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Mais de 500 participantes reuniram-se em Lisboa na 1.ª Conferência “Heróis da Fruta”. Projeto de literacia alimentar já chegou a cerca de um milhão de crianças em Portugal.

A obesidade infantil esteve no centro da 1.ª Conferência “Heróis da Fruta”, que reuniu em Lisboa mais de 500 participantes, entre médicos, nutricionistas, investigadores, autarcas e representantes das comunidades escolares.

Promovido pela Associação Portuguesa Contra a Obesidade Infantil (APCOI), o encontro assinalou os 15 anos do programa “Heróis da Fruta” e serviu para apresentar novos dados sobre o impacto do projeto, bem como discutir estratégias de prevenção da obesidade infantil em Portugal.

Segundo os dados apresentados na conferência, uma em cada três crianças vive com excesso de peso ou obesidade, enquanto cerca de 70% não consome fruta e hortícolas diariamente.

Projeto chegou a um milhão de crianças

Desde 2011, o “Heróis da Fruta” envolveu cerca de um milhão de crianças em Portugal, apostando na literacia alimentar em contexto escolar.

Durante a conferência, a investigadora Raquel Martins, do Instituto de Saúde Ambiental da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, apresentou resultados que apontam para um aumento significativo do consumo diário de fruta nas escolas.

De acordo com os dados apresentados, 40% das crianças adquiriram o hábito regular de consumir fruta à quarta semana. O estudo mostrou ainda diferenças relevantes de resposta entre grupos socioeconómicos, com as crianças de famílias em maior vulnerabilidade a atingirem 64% de consumo regular de fruta no final da intervenção.

“Heróis da Fruta 2.0” testado na Ajuda

Um dos painéis foi dedicado ao projeto-piloto “Heróis da Fruta 2.0”, desenvolvido na Freguesia da Ajuda no âmbito da iniciativa Cities for Better Health.

A intervenção permitiu alcançar 90% das escolas da freguesia e, segundo os resultados apresentados, 87% das crianças experimentaram novos frutos e hortícolas. A entrega semanal de cabazes de fruta foi uma das medidas utilizadas para eliminar barreiras financeiras à participação.

A iniciativa envolveu a APCOI, o Instituto de Saúde Ambiental, a Junta de Freguesia da Ajuda e a Novo Nordisk.

Prevenção deve começar mais cedo

A conferência juntou também responsáveis da área da saúde pública e especialistas em obesidade, que defenderam uma intervenção mais precoce.

José Silva Nunes, endocrinologista e presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade, apontou para o impacto económico da obesidade no Serviço Nacional de Saúde, estimando esse custo em 1,15 mil milhões de euros por ano. Segundo o especialista, apenas 1% desse montante é aplicado diretamente no tratamento da obesidade, enquanto a maioria dos custos está relacionada com as suas complicações.

A diretora do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável, Maria João Gregório, destacou, por sua vez, a importância da colaboração entre instituições públicas e sociedade civil para concretizar medidas de prevenção no terreno.

Para os responsáveis pelo projeto, a resposta à obesidade infantil passa por uma combinação de ciência, prevenção, literacia alimentar e envolvimento das comunidades escolares, procurando criar ambientes que facilitem escolhas alimentares mais saudáveis.