Investigação realizada em três países europeus revela dificuldades no acesso a cuidados de saúde, falta de apoio no trabalho e consequências para o bem-estar das mulheres que vivem com enxaqueca.
A enxaqueca continua a ser uma doença frequentemente desvalorizada, apesar das limitações que pode provocar na vida pessoal, familiar e profissional. Um novo estudo europeu, divulgado pela Organon a propósito do Dia Mundial de Combate à Dor, assinalado a 17 de outubro, alerta para a falta de reconhecimento desta doença neurológica crónica e para as dificuldades sentidas por muitas mulheres no seu dia a dia.
A investigação, realizada pela Ipsos a pedido da Organon, envolveu 3.000 mulheres em França, na Alemanha e no Reino Unido. Os resultados apontam para lacunas no diagnóstico, no tratamento e no apoio prestado às pessoas com enxaqueca, tanto nos serviços de saúde como nos locais de trabalho e na sociedade.
Embora Portugal não tenha sido incluído no estudo, a MiGRA Portugal – Associação Portuguesa de Doentes com Enxaqueca e Cefaleias considera que os problemas identificados poderão também refletir a realidade nacional.
Segundo Isabel Pireza, presidente da Mesa da Assembleia Geral da associação, a enxaqueca continua a ser pouco reconhecida como uma doença incapacitante. A responsável defende uma maior integração desta condição nas políticas de saúde da mulher, em Portugal e no resto da Europa.
Responsabilidades familiares e falta de apoio no trabalho
A enxaqueca pode dificultar a conciliação entre a vida profissional, as tarefas domésticas e as responsabilidades familiares. De acordo com o estudo, 54% das mulheres inquiridas afirmam que a prestação de cuidados a crianças ou a outros familiares interfere com a gestão das crises.
Além disso, 13% dizem sentir pouco ou nenhum apoio por parte da família ou da comunidade.
As dificuldades também se fazem sentir no emprego. Entre as participantes profissionalmente ativas, 33% consideram que os empregadores não compreendem devidamente a sua condição ou não disponibilizam adaptações adequadas. Por sua vez, 19% afirmam ter sido alvo de estigma ou discriminação no local de trabalho devido à enxaqueca, frequente ou ocasionalmente.
Estes resultados evidenciam a necessidade de reforçar a compreensão sobre uma doença cujos efeitos nem sempre são visíveis, mas que podem comprometer o desempenho profissional e a participação em atividades sociais.
Saúde mental também pode ser afetada
As consequências da enxaqueca não se limitam à dor física. A imprevisibilidade das crises pode provocar alterações nos planos pessoais e profissionais, dificultar a participação em encontros familiares e contribuir para sentimentos de ansiedade, stress e isolamento.
As dificuldades em obter compreensão por parte de familiares, colegas e empregadores podem agravar esta situação e afetar a qualidade de vida.
No caso das mulheres, a acumulação de responsabilidades profissionais e familiares pode representar um desafio adicional. Por isso, a gestão da enxaqueca exige uma abordagem que tenha em conta não só os sintomas físicos, mas também o bem-estar psicológico e as repercussões sociais e profissionais da doença.
Organon Portugal recebe certificação de local de trabalho amigo da enxaqueca
A sensibilização para esta realidade passa também pela criação de ambientes profissionais mais preparados para apoiar quem vive com a doença.
A Organon Portugal recebeu a certificação «Migraine Friendly Workplace», atribuída pela MiGRA Portugal em parceria com a European Migraine & Headache Alliance (EMHA). A distinção reconhece organizações que adotam práticas destinadas a melhorar o apoio aos trabalhadores com enxaqueca e outras cefaleias.
Sofia Ferreira, responsável da Organon para Portugal, Reino Unido, Irlanda e Países Nórdicos, salienta que o impacto da doença se estende às carreiras, às relações pessoais e ao bem-estar, associando-se também ao absentismo, à redução da produtividade e à perda de oportunidades profissionais.
No âmbito do Dia Mundial de Combate à Dor, a MiGRA Portugal e a Organon defendem um maior reconhecimento da enxaqueca como doença neurológica incapacitante e apelam a cuidados de saúde mais abrangentes, que considerem todas as dimensões do impacto da doença na vida das mulheres.







