Quarta-feira, Outubro 28, 2026
Início Atualidade Black Friday 2026: 51% dos consumidores querem recorrer à Inteligência Artificial para...

Black Friday 2026: 51% dos consumidores querem recorrer à Inteligência Artificial para escolher compras

1

Um inquérito do Portal da Queixa revela que, apesar do interesse na IA, a maioria dos consumidores continua a confirmar as recomendações antes de comprar. Os falsos descontos e as lojas fraudulentas estão entre as principais preocupações.

A Inteligência Artificial começa a ganhar espaço na preparação das compras da Black Friday, mas a confiança nas marcas e lojas continua a ser determinante. Segundo um inquérito do Portal da Queixa, 51,1% dos consumidores admitem recorrer a ferramentas de IA para apoiar as suas decisões na campanha de 2026. Ainda assim, apenas 9,6% dos potenciais utilizadores comprariam diretamente com base numa recomendação desta tecnologia.

A maioria prefere confirmar a informação antes de avançar: 37,8% procuram validar as recomendações noutras fontes e 30,3% pesquisam a reputação da marca ou da loja.

O estudo, realizado junto de 652 consumidores, traça o perfil de um comprador cada vez mais digital, mas também atento à fiabilidade das promoções e à segurança das compras.

Reputação pesa na decisão de compra

Entre os consumidores que ponderam utilizar Inteligência Artificial, 54,1% consideram a reputação da marca ou da loja o elemento mais importante para confiar numa recomendação. A comparação de preços surge em segundo lugar, com 45,6%, seguida das avaliações de outros consumidores, com 39,6%. A informação sobre reclamações é relevante para 30,6%.

A importância da reputação também se reflete na escolha do local de compra. Perante duas lojas que vendem o mesmo produto, mas apresentam níveis de confiança diferentes, 65,8% dos inquiridos procurariam mais informação ou tenderiam a escolher a loja com melhor reputação, mesmo que fosse mais cara.

Por outro lado, 35,3% afirmam que escolheriam sempre ou provavelmente a opção mais barata, apesar de a loja apresentar uma reputação significativamente pior.

Falsos descontos entre os principais receios

Os consumidores continuam atentos às práticas promocionais da Black Friday. Para 68,2% dos inquiridos, as principais preocupações estão relacionadas com o aumento artificial dos preços antes da campanha e com a existência de lojas ou sites fraudulentos.

O aumento artificial dos preços é referido por 38,8% dos participantes, enquanto 29,4% apontam as lojas fraudulentas.

Entre os potenciais utilizadores de IA, a principal finalidade destas ferramentas será a comparação de preços, indicada por 49,8%. Seguem-se a verificação da vantagem real das promoções, com 41,4%, e a comparação de produtos, com 35,7%.

Encontrar produtos dentro do orçamento, referido por 33,3%, e avaliar a confiança numa marca ou loja, com 32,1%, são outros objetivos identificados.

Tecnologia lidera as intenções de compra

O preço final continua a ser o fator com maior peso na decisão de compra: 48,6% dos inquiridos destacam-no como o elemento principal. A confiança e a reputação da marca ou loja surgem em segundo lugar, com 21,3%, enquanto a percentagem de desconto é apontada por 10,9%.

Quanto às categorias de produtos, a tecnologia lidera as intenções de compra, com 39,1%, seguida da moda (35,1%), da beleza e cuidados pessoais (28,7%) e dos eletrodomésticos e artigos para o lar (27%).

Entre os consumidores que já definiram um orçamento para a campanha, a despesa média prevista ronda os 255 euros.

Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, considera que a Inteligência Artificial está a transformar a forma como os consumidores pesquisam e comparam oportunidades, mas sublinha que a confiança continua a ser essencial. Na sua análise, os resultados mostram uma crescente disponibilidade para utilizar estas ferramentas, acompanhada pela preocupação em validar recomendações e confirmar a credibilidade das marcas.

Consumidores com mais de 55 anos predominam na amostra

O inquérito contou com 652 participantes. O grupo dos 65 ou mais anos representa 26,1% da amostra, seguido dos consumidores entre os 55 e os 64 anos (23,6%) e dos 45 aos 54 anos (21,2%).

Os participantes entre os 35 e os 44 anos correspondem a 17,3%, enquanto os grupos dos 25 aos 34 anos e dos 18 aos 24 anos representam, respetivamente, 9% e 2,8%.

Quanto ao género, 53,1% dos inquiridos identificaram-se com o género feminino e 45,2% com o masculino. Outros 0,9% preferiram não responder e 0,8% identificaram-se com outra opção.

Os resultados apontam para uma Black Friday em que a tecnologia poderá ter um papel crescente na pesquisa e comparação de produtos, mas em que a reputação, a transparência e a segurança continuam a pesar nas decisões de compra.