O lado positivo das Praxes Académicas

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A praxe académica tem sido nas últimas décadas um tema de debate e de análise devido a incidentes, abusos e comportamentos humilhantes ou mesmo perigosos. Em resposta a essas preocupações, diversas instituições têm reformulado estas práticas, substituindo atividades coercitivas ou degradantes por experiências mais enriquecedoras, focadas no espírito de comunidade, respeito mútuo e integração efetiva dos novos alunos na vida universitária, como o exemplo da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril.

O som ruidoso dos cânticos entoa pelas ruas, enquanto dezenas de estudantes trajados com capas pretas (típicas do traje académico) lideram os novos alunos reconhecidos como “caloiros”. Estes veteranos são responsáveis por introduzir os alunos recém-chegados às dinâmicas da instituição. Embora a praxe, em várias universidades seja alvo de debate e críticas devido a práticas abusivas, na ESHTE cada vez mais pretende-se equilibrar esta tradição com uma integração positiva e acolhedora, permitindo que os novos alunos se sintam parte da comunidade académica de forma segura e respeitosa. “A praxe começa pela união das pessoas e pela procura de algo em comum, prepara-nos também para a vida do trabalho, com o respeito de hierarquias, neste caso de caloiros a até à chefia, foi os passos por onde todos passamos, a praxe nunca vai ser obrigatória para ninguém, tudo o que acontece é com consentimento dos próprios alunos, que ainda hoje aqui estão é porque gostam”, refere o DUX, Vasco Pinto,(Dux – Hierarquia mais alta da Comissão de Praxe).

Praxe na comunidade local

O “Praxarte” é uma atividade lúdica que já ocorre há alguns anos, com o objetivo de promover a interação entre os novos alunos da ESHTE e as crianças da Escola Básica Fausto Cardoso Figueiredo, localizada no Estoril. Diferente das praxes tradicionais, que muitas vezes podem ter conotações mais rígidas, o “Praxarte” tem um caráter inclusivo na comunidade, destacado os valores de solidariedade, criatividade e responsabilidade social. Durante esta atividade, os caloiros, sob orientação dos veteranos, participam em ações que envolvem as crianças, promovendo um ambiente de convivência intergeracional, com atividades, jogos e brincadeiras, proporcionando uma experiência enriquecedora tanto para os novos alunos como para as crianças da escola.

Além da interação com os alunos da Escola do 1º Ciclo, os “caloiros” participam em mais algumas atividades, na Associação Humanitárias dos Bombeiros dos Estoris, no Bairro da Martinha e no Café Vani. “Quando andamos pelo Estoril é para mostrar a nossa entreajuda com o negócio local, na creche da Escola do 1º Ciclo, nos bombeiros, no Café Vani, no Bairro da Martinha. O nosso objetivo é sempre ajudar, esse nosso contributo para este locais, seja dinheiro, seja felicidade, seja qualquer coisa que possamos proporcionar, vai ser sempre a maior felicidade para nós”, afirma o DUX, Vasco Pinto.

Dux Vasco Pinto

Batismo na Praia do Tamariz

A Praia do Tamariz tem sido o local escolhido para o tradicional “batismo do caloiro”. Uma cerimónia carregada de simbolismo, quer para os “caloiros” e veteranos. “Só quem assiste é que percebe o quanto significa para nós, estudantes da ESHTE”, afirma o DUX, Vasco Pinto. Cada “caloiro” escolhe o seu representante, em seguida vão buscar água ao mar e são batizados. Após este ritual, os caloiros e veteranos assistem a uma pequena atuação da Tunística (Tuna Mista da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril). No final da atividade fazem a “Roda de Veteranos”, onde são debatidos e refletidos todos os assuntos relativos às praxes realizadas até ao momento.

A maioria dos alunos, adere de forma livre e espontânea às praxes, não apenas pelo seu cariz lúdico, mas também pela integração, partilha, união, espírito de grupo e experiências, Bruno Cardoso, 17 anos, aluno de Gestão Turística, diz que  “no primeiro dia foi mais complicado, uma vez que não nos conhecíamos, ao longo do tempo começou a melhorar e agora só tenho de agradecer a toda a gente que nos estiveram a praxar, todos estes veteranos que são incríveis, é uma experiência única que repetia outra vez”. Para Margarida Almeida, 20 anos, aluna do Curso de Produção Alimentar e Restauração, “quando via as praxes de outras universidades, sempre foi algo que me fascinou. As praxes são um legado uma tradição e é muito por isso que eu gosto e participo, é uma experiência única que fica para a vida”.

Texto e Fotos de Bruno Taveira