Quando surge a dificuldade em engravidar, o casal costuma discutir o tema entre 4 paredes, muitas vezes “culpando” o outro, quando na verdade o problema é dos 2, pois afeta-os da mesma maneira.
Mas, para Ana Oliveira Pereira, Psicóloga Clínica e da Saúde da AVA Clinic, “viver uma situação de infertilidade é uma crise que põe à prova a relação, mas, se bem gerida, na maioria dos casos traz maior proximidade do casal”.
O principal foco do casal terá de ser a conversa entre ambos, mas muito antes de haver um diagnóstico, ou seja, clarificar as expectativas e desejo em ter filhos, assim como o momento certo para aumentar a família.
“Nem sempre os dois parceiros estão na mesma etapa da relação ou em sintonia quanto ao momento de constituir família; os homens tendem a conviver melhor com a ideia de uma vida sem filhos, ao contrário das mulheres, para quem desistir da maternidade é, muitas vezes, algo impensável e penoso”, refere Ana Oliveira Pereira.
Assim que o casal tiver de acordo, deve-se negociar, tendo sempre em conta, a importância da parentalidade, o contexto pessoal e profissional, e o mais importante “a idade da mulher”.
Quando a mulher tenta engravidar e isso não acontece nos primeiros 3 meses, começa a haver uma pressão, por parte da mulher, que passa a regular o seu ciclo menstrual, a planear a sua vida sexual e a reagir com maior intensidade emocional às contrariedades, muitas vezes sem o parceiro perceber porquê.
“Melhor do que viver esse receio em segredo, será partilhar essas preocupações desde o início, para que o parceiro possa perceber alguns comportamentos e reações e, e desde logo, dar o seu apoio emocional”, afirma Ana Oliveira Pereira.
Quando chega o diagnóstico, vem associado um turbilhão de emoções que afeta os 2 membros do casal de forma diferente , e a melhor resposta será a comunicação clara e sem acusações, “assumindo a sua própria vulnerabilidade”.
Ana Oliveira Pereira deixa até uma sugestão de uma estratégia concreta: negociar momentos dedicados ao assunto, “períodos para se abordar o tema da infertilidade e dos tratamentos, sendo que nos outros momentos se fala de outros temas”-
Outra das preocupações do casal é divulgar ou não a situação aos familiares e amigos, mas Ana Oliveira Martins é clara: “Viver a infertilidade e os tratamentos em segredo é um fardo por vezes pesado”; ainda assim há que encontrar um equilíbrio entre o casal, pois as necessidades de ambos são diferentes, mas sem perder a rede de suporte que pode ajudar a atravessar este período.
“Pode ser benéfico procurar ajuda psicológica para que alguém externo ajude a normalizar as emoções e comportamentos de cada um, ajude a identificar esquemas comunicacionais menos eficazes, e implementar estratégias que ajudem a viver esta fase, sem danos irreparáveis na relação conjugal”, conclui Ana Oliveira Pereira.







