O Sistema Volta — o Sistema de Depósito e Reembolso (SDR) de embalagens de bebidas de uso único que entrou em vigor em Portugal a 10 de abril de 2026 — tem gerado forte debate público precisamente devido ao fenómeno dos contentores de lixo remexidos.
Com o incentivo financeiro de 10 cêntimos por cada garrafa de plástico ou lata devolvida, o comportamento de procurar embalagens no lixo tornou-se uma realidade visível e com impacto direto na gestão do espaço público.
O Impacto do Sistema Volta na Higiene Urbana
A recolha de embalagens abandonadas ou depositadas nos ecopontos e caixotes tem duas faces bem distintas:
O lado positivo: Há uma limpeza informal de praias, jardins e recintos de eventos, onde as pessoas recolhem voluntariamente o plástico e metal espalhados pelo chão para os monetizar, ajudando nas metas ambientais.
O lado problemático (Lixo Remexido): Em zonas urbanas densas, têm-se registado inúmeros episódios de pessoas que abrem, remexem e, em casos mais graves, despejam por completo o conteúdo de contentores e papeleiras na via pública à procura de embalagens com o símbolo “Volta”.
Este fenómeno foi oficialmente reconhecido pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) e por várias Juntas de Freguesia da capital em julho de 2026, que emitiram alertas sobre a degradação da higiene urbana e o caos deixado nas calçadas devido a estas buscas.
Há Casos em Cascais?
Sim, o fenómeno também se verifica em Cascais, embora com contornos ligeiramente diferentes e uma população local já mais habituada a este tipo de dinâmicas.
Pioneirismo Local: Cascais não é estreante nestes sistemas. O município lançou em 2021 o projeto-piloto iREC – Inovar a Reciclagem (através da Cascais Ambiente), instalando máquinas que trocavam embalagens por pontos na aplicação CityPoints (convertíveis em prémios locais).
Com a transição para o sistema nacional Volta em abril de 2026 e a introdução de dinheiro vivo (ou vales de desconto imediatos), o incentivo financeiro direto atraiu perfis diferentes de coletores:
Frequência: Tal como em Lisboa e noutros grandes centros urbanos do país, existem relatos e queixas localizadas de ecopontos e contentores remexidos em Cascais, especialmente perto de zonas comerciais, praias e artérias com muita restauração.
Diferença de escala: Embora o problema exista, o impacto visual nas ruas de Cascais tem sido reportado como menos severo do que no centro de Lisboa. Isto deve-se, em parte, à forte cobertura de fiscalização e recolha da Cascais Ambiente, bem como à própria distribuição e tipologia dos contentores no concelho (muitos deles subterrâneos, o que dificulta o acesso direto e a reviravolta do lixo por parte de estranhos).
A situação continua a ser monitorizada pelas autarquias em todo o país, que consideram este impacto uma “fase de adaptação” a uma das maiores medidas ambientais implementadas em Portugal.







