A Guarda Nacional Republicana (GNR) registou um aumento significativo dos furtos de componentes automóveis durante o primeiro semestre de 2026, destacando o crescimento dos casos relacionados com catalisadores. Nos primeiros seis meses do ano foram contabilizados 685 crimes desta natureza, mais 108 do que no mesmo período de 2025, o que representa uma subida de 18,7% e uma média próxima de quatro ocorrências por dia.
Segundo a GNR, este tipo de criminalidade é impulsionado pela elevada valorização dos metais preciosos existentes no interior dos catalisadores, nomeadamente ródio, platina e paládio. Estes elementos, pertencentes ao Grupo da Platina, são muito procurados nos mercados internacionais devido à sua escassez e importância para diversos setores industriais, tornando os catalisadores um alvo cada vez mais apetecível para redes criminosas.
Ao contrário do que possa parecer, os autores destes furtos não procuram vender o catalisador como peça automóvel. O objetivo passa pela extração rápida dos metais preciosos, recorrendo normalmente a rebarbadoras portáteis a bateria, capazes de remover o componente em menos de um minuto. Posteriormente, os materiais são encaminhados para circuitos ilegais de comercialização e reciclagem.
Dos 685 crimes registados no primeiro semestre, 178 correspondem especificamente ao furto de catalisadores. Setúbal lidera a lista dos distritos mais afetados, com 135 ocorrências, seguido do Porto (113), Lisboa (93) e Aveiro (59). A GNR assinala ainda aumentos expressivos em Portalegre (+200%), Viseu (+150%) e Leiria (+71%), revelando uma maior dispersão geográfica da atividade criminosa, que já não se concentra apenas nas zonas do litoral.
No âmbito do combate a este fenómeno, foram efetuadas oito detenções por furto de acessórios ou peças de veículos durante 2025 e seis detenções apenas no primeiro semestre de 2026.
Para travar o circuito ilegal de venda e escoamento destes materiais, a GNR reforçou as ações de vigilância e fiscalização junto de oficinas, operadores de gestão de resíduos e sucateiras. As operações incluem um controlo mais rigoroso da origem dos metais entregues para reciclagem, bem como o reforço das ações de fiscalização rodoviária a viaturas suspeitas de transportar ferramentas de corte ou componentes furtados.
A Guarda alerta ainda os proprietários de veículos para redobrarem os cuidados, sobretudo quando estacionam em parques isolados ou deixam as viaturas durante longos períodos sem vigilância.
Entre as principais recomendações estão estacionar, sempre que possível, em garagens fechadas ou parques bem iluminados e vigiados, considerar a instalação de proteções metálicas ou sistemas de alarme específicos para o catalisador e contactar imediatamente o 112 ou o posto da GNR mais próximo caso sejam detetados ruídos metálicos intensos ou movimentos suspeitos junto de veículos estacionados.
Em caso de furto, a GNR aconselha que a participação às autoridades inclua todos os elementos identificativos da viatura e do componente roubado. Recorda ainda que a compra ou venda de peças automóveis sem comprovativo legal de proveniência pode constituir o crime de recetação.
A GNR garante que continuará a desenvolver ações de prevenção e combate a este tipo de criminalidade, reforçando o patrulhamento, a fiscalização e as campanhas de sensibilização em todo o território nacional.







