Terça-feira, Julho 28, 2026
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Viagens longas: o que precisa de saber para chegar com saúde ao destino

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Sónia Nobre - Especialista Affidea em Fisiologia do Exercício

Enquanto fisiologista do exercício, acredito que o movimento é uma das ferramentas mais poderosas na promoção da saúde. E é precisamente o movimento que mais falta faz durante uma viagem longa. Seja de carro, autocarro, comboio ou avião, passamos horas sentados, muitas vezes sem nos apercebermos do impacto que essa imobilidade pode ter no nosso organismo.

O corpo humano não foi concebido para permanecer imóvel durante longos períodos. Quando estamos sentados durante muito tempo, a atividade muscular, sobretudo dos membros inferiores, diminui significativamente. A contração dos músculos das pernas, em particular dos gémeos, funciona como uma verdadeira “bomba muscular”, facilitando o retorno do sangue ao coração. Quando esse mecanismo deixa de atuar de forma eficaz, a circulação torna-se mais lenta e aumenta a estase venosa, um dos fatores que favorece a formação de coágulos sanguíneos.

É precisamente aqui que entram as medidas preventivas mais simples e, muitas vezes, negligenciadas. Fazer pausas regulares durante uma viagem de carro não serve apenas para descansar da condução; é também uma oportunidade para caminhar durante alguns minutos, ativar a musculatura e restabelecer uma circulação mais eficiente.

Nas viagens de avião, comboio ou autocarro, levantar-se sempre que possível, percorrer o corredor e evitar permanecer imóvel durante toda a viagem são estratégias igualmente importantes.

Mesmo quando não é possível sair do lugar, o corpo pode continuar em movimento. Elevar alternadamente os joelhos, fazer flexões e extensões dos tornozelos, elevar os calcanhares e as pontas dos pés ou realizar movimentos circulares com os tornozelos são exercícios simples e discretos que ajudam a estimular a circulação sanguínea. Não substituem a caminhada, mas contribuem para reduzir os efeitos da imobilidade prolongada.

Uma boa hidratação também desempenha um papel importante, ajudando a manter um estado fisiológico adequado e devendo fazer parte de uma estratégia global de prevenção. Da mesma forma, a escolha de roupa confortável e pouco apertada, que não comprometa a circulação, sobretudo ao nível dos membros inferiores, pode fazer a diferença.

O exercício não começa apenas quando chegamos ao ginásio ou iniciamos um treino programado. Também acontece nos pequenos gestos do dia a dia, nas pausas que fazemos e nas decisões conscientes que tomamos para interromper longos períodos de sedentarismo. Mover o corpo é uma necessidade biológica e um investimento na nossa saúde.

Talvez esteja na altura de deixarmos de olhar para as viagens apenas como um período de deslocação e passarmos a encará-las também como um momento em que a saúde precisa de continuar em movimento. Porque se o destino é importante, a forma como lá chegamos também.

Artigo de Sónia Nobre – Especialista Affidea em Fisiologia do Exercício