Novo espaço da Fundação LAPS abre portas esta sexta-feira e terá capacidade para acolher até nove mulheres e os respetivos filhos. Projeto representa um investimento de cerca de 900 mil euros e inclui acompanhamento psicológico e apoio especializado.
Cascais passa a contar com uma nova resposta de acolhimento destinada a mulheres e crianças vítimas de violência doméstica. A Casa LAPS, promovida pela Fundação LAPS, abre portas esta sexta-feira, 2 de outubro, com o objetivo de proporcionar um espaço seguro e condições para que as famílias possam iniciar um processo de recuperação e reconstrução das suas vidas.
A nova casa tem capacidade para acolher até nove mulheres e os respetivos filhos, dispondo de nove quartos distribuídos por dois pisos e de um jardim. O projeto implicou um investimento de aproximadamente 900 mil euros e foi concebido tendo em conta as necessidades de segurança, privacidade e acompanhamento das famílias acolhidas.
A permanência poderá prolongar-se por até seis meses, período durante o qual as mulheres terão acesso a acompanhamento psicológico e apoio especializado, numa fase particularmente delicada das suas vidas.
A segurança constitui uma das componentes centrais da resposta. Segundo a informação divulgada sobre o projeto, o espaço dispõe de um sistema reforçado de videovigilância, quartos monitorizados e conta também com apoio da PSP.
Uma resposta para quebrar o ciclo da violência
A existência de estruturas de acolhimento assume particular importância para vítimas que, perante uma situação de violência, necessitam de abandonar o local onde vivem e não dispõem de uma alternativa segura para si e para os filhos.
Em Cascais já existem respostas dirigidas a vítimas de violência doméstica, integradas na rede local de apoio social. A documentação municipal identifica as casas de abrigo como uma das respostas disponíveis para pessoas vítimas de violência, juntamente com estruturas de atendimento e apartamentos de transição.
A Câmara Municipal de Cascais dispõe também de informação específica destinada a mulheres vítimas de violência doméstica, explicando que as casas de abrigo constituem espaços seguros para mulheres, com ou sem filhos, onde podem permanecer temporariamente e receber apoio relacionado com proteção social, habitação, emprego e questões jurídicas e familiares.
Milhares de ocorrências em todo o país
A abertura da nova estrutura acontece num contexto em que a violência doméstica continua a representar uma realidade com elevado número de ocorrências em Portugal.
Segundo os dados oficiais relativos ao segundo trimestre de 2026, divulgados pela Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG), foram registadas 7.871 ocorrências de violência doméstica pelas forças de segurança entre abril e junho.
No mesmo período, 1.390 pessoas foram acolhidas na Rede Nacional de Apoio a Vítimas de Violência Doméstica, entre as quais 681 mulheres, 688 crianças e 21 homens. Foram ainda transportadas 491 vítimas para estruturas de acolhimento.
Os números mostram também a dimensão da violência que atinge crianças e jovens. No segundo trimestre, foram registados sete homicídios voluntários em contexto de violência doméstica, envolvendo três mulheres, três crianças e um homem, de acordo com a informação oficial da CIG.
A nova Casa LAPS surge, assim, como mais uma resposta de proteção para mulheres e crianças que precisam de um lugar seguro para romper com situações de violência e começar um novo percurso.
A aposta no acolhimento não se limita à disponibilização de um espaço físico. O acompanhamento psicológico e especializado procura criar condições para que as vítimas possam recuperar a autonomia e preparar uma nova etapa das suas vidas, longe do contexto de violência.







