Apoiar o comércio local é proteger décadas de tradição

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Beatriz Pina

Fundada em 1973, a retrosaria Mini-Pop, em Tires, é um negócio familiar que atravessou gerações e acompanhou a evolução do comércio tradicional. Com a mudança dos hábitos de consumo e o aparecimento das grandes superfícies, os pequenos estabelecimentos passaram a enfrentar crescentes dificuldades. Ainda assim, esta retrosaria mantém as  portas abertas, resistindo como um espaço de proximidade e memória local. Damos a conhecer este estabelecimento.

Conte-nos um bocadinho da história deste estabelecimento, há quanto tempo tem este estabelecimento?

-Já foram os meus pais que abriram a loja. Abriram uma primeiro aqui ao lado, no largo dos Duartes em 1967, depois abriram esta e abriram mais algumas noutras freguesias. Esta sempre se manteve, a minha mãe quando se reformou fechou a que era aqui ao lado, que era a mais antiga, e esta ainda vai permanecendo, porque passou de geração, os meus fornecedores dizem que esta é a retrosaria que está aberta há mais anos no concelho de Cascais. 

Como é o comércio hoje em dia neste tipo de negócio?

-Aquilo que ouço é que estamos todos a encerrar, é um ramo em vias de extinção. Queremos costureiras, cada vez há menos costureiras, um par de calças custa 8€, umas bainhas custam 8€, as pessoas acabam por ir às grandes superfícies e optam sempre pelo comércio rápido, os grandes centros estão a absorver-nos a todos e  acaba por ser um trabalho inglório. Eu já decidi que vou fechar isto mais cedo ou mais tarde porque não me compensa.

Como é o movimento nesta área? Quem é que passa por aqui?

-Tires antigamente era uma zona de muito comércio local, era a terra de canteiros e hoje em dia transformou-se numa terra de tabernas e cabeleireiros, querendo ou não as pessoas acabam por se afastar daqui porque o ambiente às vezes também não é o melhor, as pessoas comentam e evitam vir aqui porque dizem que têm medo e nós percebemos que a policia não pode estar em todas as portas mas quando os chamamos demoram uma eternidade a chegar. As obras também não estão a ajudar, já estão aqui desde o verão passado, é uma grande desorganização e as pessoas já não estão para vir para aqui.

João Oliveira

Proprietário