Quinta-feira, Abril 16, 2026
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Doença rara que se confunde com dermatoses comuns continua a atrasar diagnóstico em Portugal

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Falta de dados nacionais sobre Linfoma Cutâneo de Células T dificulta resposta em saúde

No âmbito do Dia Mundial das Doenças Raras, assinalado a 28 de fevereiro, a Associação Portuguesa Contra a Leucemia (APCL) alerta para dois desafios críticos que continuam a marcar o percurso dos doentes com Linfoma Cutâneo de Células T (LCCT) em Portugal: o atraso no diagnóstico, que pode demorar anos, e a ausência de dados epidemiológicos nacionais consolidados. O LCCT é um tipo raro de cancro que se manifesta principalmente na pele e que, nas fases iniciais, pode apresentar sinais semelhantes a doenças dermatológicas comuns, como o eczema ou a psoríase.

Esta sobreposição clínica contribui para atrasos no diagnóstico correto, prolongando o tempo até ao encaminhamento para equipas especializadas e impactando diretamente a qualidade de vida dos doentes. Dados internacionais indicam que os linfomas cutâneos são doenças raras, com incidências baixas à escala populacional, estimando-se que afetem cerca de 5 a 10 pessoas por milhão anualmente. No entanto, a inexistência de estudos concretos sobre a incidência em Portugal limita a capacidade de planeamento em saúde e a organização de cuidados.

Registos europeus recentes sugerem um aumento da incidência ou uma maior capacidade de diagnóstico ao longo das últimas duas décadas. Este cenário reforça a necessidade de melhorar a literacia sobre os sintomas e acelerar o reconhecimento clínico. Para os doentes, o impacto vai além do diagnóstico oncológico: o envolvimento cutâneo visível traduz-se frequentemente em estigma social e impacto psicológico significativo antes mesmo de existir um diagnóstico definitivo.

Segundo o Professor Manuel Abecasis, Presidente da APCL, é fundamental reforçar a literacia sobre os sinais de alerta quando as lesões cutâneas persistem e não respondem a terapêuticas convencionais. A associação sublinha ainda que, sem dados consistentes e circuitos claros de referenciação para centros com experiência em doenças onco-hematológicas raras, o impacto destas patologias permanece invisível para o sistema de saúde.

Sobre o Linfoma Cutâneo de Células T (LCCT) O LCCT é um grupo raro de linfomas não-Hodgkin que se manifesta primariamente na pele. As formas mais comuns incluem a Micose Fungoide e a Síndrome de Sézary. O diagnóstico é complexo e requer, frequentemente, uma avaliação multidisciplinar envolvendo dermatologistas e hematologistas.

– Associação Portuguesa Contra a Leucemia