Na noite de 14 de julho, David Byrne apresentou um espetáculo em Cascais, no festival Ageas Cooljazz, incluindo vários temas dos Talking Heads. O músico apresentou um alinhamento de 18 canções, que abriu com uma versão intimista de “Heaven” e encerrou com o clássico “Burning Down the House”. Ao longo do concerto, alternou temas da sua carreira a solo com várias canções dos Talking Heads, numa atuação marcada pela sonoridade funk-rock, por uma forte componente cénica e coreográfica e por momentos de interação em que assumiu o papel de um verdadeiro conferencista multimédia.
Logo no início do espetáculo, Byrne apontou para a imagem do planeta Terra projetada no ecrã e deixou uma mensagem simples, mas contundente: “Este é o único que temos”. A preocupação ambiental voltou a marcar presença em “Nothing but Flowers”, um dos temas mais ecologistas dos Talking Heads. A canção, que inclui o verso “There was a shopping mall / Now it’s all covered with flowers”, constrói uma paródia irónica que inverte a lógica da degradação ambiental: as autoestradas deram lugar à agricultura e o betão foi substituído por um 
Entre as músicas, Byrne recorreu repetidamente a imagens projetadas para contextualizar as suas intervenções. Num desses momentos, surgem imagens de prédios em Itália, onde vizinhas cantavam ópera durante a pandemia. O músico recordou que esse episódio aconteceu no dia da libertação de Itália e da derrota do fascismo, a 25 de abril, estabelecendo um paralelo com a mesma data em Portugal, símbolo da conquista da liberdade. A evocação serviu de introdução a “When We Are Singing”.
A componente visual do espetáculo destacou-se pelo minimalismo. O jogo de luzes e as projeções no ecrã reforçaram a narrativa construída ao longo do concerto, sem nunca se sobreporem à música ou à presença dos intérpretes em palco.
Um dos momentos mais aguardados da noite chegou com “Psycho Killer”. Assim que soaram os primeiros acordes, o público entrou em ebulição para celebrar o tema que, no final da década de 1970, ajudou a afirmar os Talking Heads como uma das bandas de referência da revolução da new wave e do pós-punk. A energia manteve-se elevada em “Life During Wartime”, outro dos momentos altos de um espetáculo que conjugou intensidade musical com uma encenação meticulosamente coreografada.
Antes mesmo de subir ao palco, David Byrne já tinha protagonizado um momento insólito. O artista chegou ao recinto de bicicleta, passando praticamente despercebido entre o público. A cena foi registada num vídeo partilhado pela rádio M80 e pela promotora Live Experiences nas redes sociais.
“Star quality é chegar de bicicleta ao festival onde vais ser cabeça de cartaz… e quase ninguém dar conta! Nós demos! David Byrne, bem-vindo”, pode ler-se na legenda que acompanha a publicação.
• Vera Nobre