
A partida da 2.ª jornada da II Divisão Distrital da Associação de Futebol de Lisboa foi interrompida ao minuto 25. O clube do Cacém alega falhas graves no cumprimento do regulamento por parte da equipa visitada e avançou com protesto formal à AFL.
O jogo de futsal sénior entre o Estoril Praia e o Clube Unidos do Cacém (CUC), a contar para a 2.ª jornada da Série 3 da II Divisão Distrital da Associação de Futebol de Lisboa (AFL), acabou em sobressalto no passado sábado, dia 17 de outubro. Disputado no Pavilhão do Complexo Desportivo de Alcabideche, o encontro não chegou ao fim devido à ausência total de forças policiais ou de assistentes de recinto desportivo.
A partida iniciou-se às 19h00, mas sem que estivesse garantido o policiamento nem a presença mínima obrigatória de três assistentes de recinto, tal como estipulam as regras e diretrizes da AFL para a competição. Ao minuto 25 (ainda no decorrer da primeira parte), o árbitro decidiu interromper o jogo dada a falta de condições de segurança, concedendo uma tolerância de 30 minutos na expectativa de que a força policial chegasse.
Tensão nas bancadas e recusa em jogar
Durante o tempo em que o jogo decorreu, a ausência de segurança traduziu-se num ambiente conturbado no pavilhão, onde se encontravam cerca de 200 espectadores, entre os quais crianças com menos de cinco anos. De acordo com o comunicado do CUC, registaram-se episódios de consumo de bebidas alcoólicas nas bancadas, arremesso de bebidas na direção dos jogadores visitantes e múltiplas invasões da quadra por parte do público sem que ninguém interviesse.
Decorrida a meia hora de espera sem que chegasse qualquer força de ordem, o árbitro manifestou a intenção de retomar a partida. No entanto, a equipa do CUC recusou-se a voltar à quadra por falta de garantias de segurança para atletas, equipa técnica e público. A comitiva do clube do Cacém permaneceu no local durante mais de uma hora e reportou ainda ter sido alvo de intimidações à saída do recinto.
Na plataforma oficial de resultados da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), o jogo figura formalmente com o estado de “Interrompido”.
“Não foi uma decisão desportiva, foi uma decisão de responsabilidade”
Em declarações reproduzidas na nota oficial, o Presidente da Direção do Clube Unidos do Cacém, Tomás Alves Antunes, justificou a posição tomada:
“Não foi uma decisão desportiva, foi uma decisão de responsabilidade. Tínhamos atletas, técnicos e crianças num pavilhão sem polícia e sem assistentes de recinto. O regulamento é claro sobre o que o clube da casa tinha de garantir e isso não foi cumprido. Não podíamos continuar e voltaríamos a tomar a mesma decisão”.
Apesar do protesto, a direção do CUC ressalva que não atribui má-fé ao Estoril Praia — assinalando que os dirigentes estorilistas inclusive auxiliaram na saída da comitiva visitante — e lembrou que aceitou disputar o encontro com o seu equipamento alternativo para viabilizar a realização do jogo.
Queixa formal entregue na AFL
O CUC deu entrada de um protesto formal e de uma participação disciplinar junto da Associação de Futebol de Lisboa, solicitando que a responsabilidade pela não conclusão da partida seja atribuída ao clube visitado. Adicionalmente, solicitou ao Conselho de Arbitragem uma apreciação à decisão dos árbitros de iniciar e pretender retomar o jogo sem o cumprimento das medidas mínimas de segurança previstas no Regulamento de Provas Oficiais.
O Clube Unidos do Cacém regressou esta temporada às competições oficiais de futsal após 15 anos de interrupção. O seu próximo compromisso está marcado para o próximo sábado, dia 24 de outubro, às 21h00, no Pavilhão da Escola Secundária Gama Barros (Cacém), onde defrontará o Unidos Caxienses.






