Sábado, Outubro 24, 2026
Início DESTAQUE Mais de metade das pessoas com fibrose quística em Portugal já são...

Mais de metade das pessoas com fibrose quística em Portugal já são adultas

15

O aumento da longevidade e a evolução dos tratamentos mudaram radicalmente o prognóstico da fibrose quística em Portugal. Segundo dados do Registo Europeu de Fibrose Quística citados pela Associação Nacional de Fibrose Quística (ANFQ), 58,9% das 413 pessoas diagnosticadas no país já atingiram a idade adulta, um cenário impensável há duas décadas, quando a patologia era encarada como uma doença de infância de reduzida esperança de vida.

A efeméride do Dia Mundial da Fibrose Quística, que se assinala a 8 de setembro, serve para destacar o impacto do diagnóstico precoce, dos centros de referência e do acesso a terapêuticas inovadoras que hoje permitem aos doentes traçar planos de vida a longo prazo.

Tendência alinhada com o cenário europeu

A realidade portuguesa acompanha a evolução registada a nível europeu, onde os adultos representavam 57% da população total com a doença no registo de 2024. A fibrose quística é uma doença genética rara que afeta sobretudo os aparelhos respiratório e digestivo, devido a mutações no gene CFTR que provocam a acumulação de secreções espessas e infeções recorrentes.

Se no passado a prioridade clínica assentava na sobrevivência dos doentes durante a infância e adolescência, a evolução da medicina passou a focar-se em novos desafios sociais e profissionais na idade adulta, como a integração no mercado de trabalho, a parentalidade ou o acesso ao crédito à habitação.

ANFQ apela à igualdade no acesso aos cuidados

Apesar dos avanços, o presidente da ANFQ, Paulo Sousa Martins, sublinha a necessidade de continuar o trabalho de sensibilização e garantir que as inovações chegam a todos os doentes:

“Neste Dia Mundial da Fibrose Quística, importa reconhecer o caminho percorrido pela ciência, mas importa também lembrar que este progresso ainda não chegou a todos da mesma forma. Garantir o acesso equitativo às terapêuticas inovadoras, reforçar a investigação e continuar a investir em cuidados especializados são condições essenciais.”