Sexta-feira, Setembro 25, 2026
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A Cascais, uma vez e…

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Iniciou-se em meados do século XIX o hábito de ir a banhos, que vem, por exemplo, documentado num dos romances de Eça de Queiroz.

Na altura, a Figueira da Foz e também S. Pedro de Moel eram as praias preferidas para esse efeito. Cascais só começou a ter maior preponderância, a partir do momento em que a Corte, depois de ter estado, durante o Verão, no seu palácio real em Sintra.

Em Setembro, vinha para Cascais, porque, na verdade, o mês de Setembro era, E de certo modo  – ainda continua a ser! – um dos meses mais agradáveis, do ponto de vista climatérico: não há temperaturas elevadas, deixou de fazer-se sentir o vento da serra, que sopra principalmente em Julho e Agosto e, por conseguinte, essa temperatura tépida convidava a uma serenidade de descanso.

Ora, com a Coroa vinha também a burguesia de Lisboa. E se, hoje, dos nobres que acompanhavam a Corte temos diversos palácios, como o da Duquesa de Palmela e outros sitos à beira do Atlântico, os burgueses acabavam por arrendar quartos ou mesmo casas na vila. E procuravam, também eles, seguir um pouco o luxo e a exuberância de uma vida em férias.

Atendendo, porém, a que as salas do jogo abundavam e os entretenimentos gostosos também, pouco a pouco essa burguesia acabava por verificar que as bolsas se tinham esvaziado e não havia dinheiro para continuar. E, sobretudo, nem para fazerem face às despesas do resto do ano!

Foi por isso que se divulgou a frase «A Cascais uma vez e nunca mais!». porque, na verdade, não haveria posses para uma outra vinda assim a viver à tripa forra nesta estância balnear!…

Claro que a propaganda turística não podia compadecer-se com esse dito e depressa o mudou para slogan mais aliciante: «A Cascais uma vez e… muitas mais!».

Aliás, é nesse plano que todos os concelhos (melhor se dirá, «todos os presidentes»…)  adoptam, agora, uma frase bonita para garantirem que «É bom viver aqui!». Ainda se não inventou  «Esta é a capital do descanso!», mas contam-se por largas dezenas as terras que se dizem capital disto ou daquilo e a gente, por vezes, até pergunta aonde é que eles foram buscar esta, haverá assim um cardápio ao dispor e o município paga um tanto e fica um ano a ser «Capital» sem, no entanto, ousar roubar a Lisboa tão sublima galardão?

Seja como for, é bonita forma de aliciar pessoas a irem viver nessas terras.

Portanto, voltando a Cascais: o Executivo Camarário, em vez de manter a frase «Uma vez e muitas mais!», tem, agora, uma outra: «Cascais para toda a vida». O executivo anterior preferira algo como «O lugar certo para viver uma hora, um dia, a vida inteira!».

Concretamente, portanto, a vontade é que mais pessoas vivam em Cascais. e compreende-se, porque não é apenas uma questão de ter mais gente: é que ter mais residentes recenseados s dá mais peso a nível, por exemplo, eleitoral. Estou a recordar-me que há terras do país onde a população realmente residente é diminuta e, por isso, o peso eleitoral que têm é diminuto e as reivindicações que podem apresentar acabam por não ter força, na medida em que, para os partidos, para eles o que conta é o número de votos. Veja-se a desgraça de Beja e, de um modo geral, de todo o Baixo Alentejo!

Por conseguinte, neste momento, vamos continuar a viver em Cascais e tentar fazer com que a autarquia – e os autarcas, de um modo geral, tudo façam para que a nossa vida, aqui, seja o melhor possível. Já em 1620 o Padre Nicolau de Oliveira dizia que Cascais era a melhor e a mais sadia terra para viver em Portugal, porque os seus verões nunca são muito quentes, devido à brisa que sopra da serra, e os seus invernos nunca são demasiado frios, porque os acalenta a brisa que vem do mar.

 

                                   José d’Encarnação